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Finanças para a Geração Z: Como a tecnologia molda seus hábitos

Finanças para a Geração Z: Como a tecnologia molda seus hábitos

01/01/2026 - 06:20
Maryella Faratro
Finanças para a Geração Z: Como a tecnologia molda seus hábitos

Em um mundo hiperconectado, a Geração Z redefine conceitos clássicos de planejamento financeiro. Entre desafios e oportunidades, essa faixa etária adota ferramentas digitais para comprar, economizar e investir com rapidez e segurança, mas enfrenta riscos que exigem atenção.

Perfil demográfico e independência financeira

A Geração Z engloba jovens nascidos entre 1995 e 2010, e em 2025 já representa mais de 27% da força de trabalho global. Muitos conquistaram autonomia cedo: 55% dos indivíduos entre 18 e 25 anos já arcam com todos os gastos mensais e 39% colaboram no orçamento familiar.

Embora 65% ajudem no sustento da casa, quase metade não controla seus gastos de forma sistemática. Faltam disciplina e conhecimento formal, criando brechas que podem gerar endividamento e ansiedade.

Prioridades e hábitos financeiros

As metas da Geração Z variam conforme necessidades e expectativas:

  • 51% economizam para adquirir bens duráveis, como casa e carro.
  • 34% focam no pagamento de contas básicas: aluguel, alimentação e transporte.
  • 33% querem investir em ativos diversos.
  • 29% procuram quitar dívidas acumuladas.
  • 18% reservam verba para bem-estar e autocuidado.
  • 10% guardam recursos para viagens e experiências.
  • 7% planejam poupar para a aposentadoria.

Hoje, apenas 52% têm reserva financeira. Desses, 53% optam por poupança, 25% guardam dinheiro em casa e 20% usam conta corrente. Apesar do conservadorismo dominante, cresce o interesse por renda fixa, ações, fundos e até criptoativos, revelando busca por diversificação e proteção.

Endividamento e renegociação

O acesso facilitado ao crédito digital contribuiu para um aumento significativo no número de inadimplentes: em julho de 2025, 78,16 milhões de brasileiros estavam negativados. Os jovens de 18 a 25 anos lideraram uma alta de 49% nas renegociações via Serasa Limpa Nome, comparando o período de janeiro a julho de 2025 com o mesmo intervalo de 2024.

As principais causas desse quadro são custos de vida elevados, entrada precoce no mercado de trabalho e baixa educação financeira formal. Além do prejuízo financeiro, o endividamento severo pode gerar estresse crônico, ansiedade e queda na autoestima.

Adoção tecnológica e transformação digital

Mais de 70% da Geração Z já opera exclusivamente com contas digitais. Apps de bancos, carteiras eletrônicas e fintechs oferecem conveniência e monitoramento em tempo real, mas também ampliam o consumo impulsivo, já que não há a percepção física do dinheiro saindo da carteira.

  • Aplicativos de controle de despesas
  • Carteiras digitais e pagamentos instantâneos
  • Plataformas de investimento e criptomoedas
  • Bloquinhos de papel ou planilhas manuais (26%)

Essa coexistência entre alta tecnologia e métodos tradicionais revela um paradoxo: apesar de hiperinformados, quase metade ainda não converte as ferramentas em controle efetivo das finanças pessoais. A facilidade de gastar sem contato físico com notas estimula o consumo desenfreado.

Acesso à informação e educação financeira

A internet e as redes sociais tornaram-se escolas informais: influenciadores compartilham dicas, cursos gratuitos se proliferam e aplicativos educativos auxiliam no planejamento. Entretanto, apenas 10% dos jovens revelam ter recebido orientações sólidas em casa ou na escola.

  • Sites especializados e blogs de finanças
  • Conteúdos de influenciadores digitais
  • Webinars, podcasts e vídeos educativos
  • Apps com tutoriais integrados

Os principais obstáculos para poupar são a falta de sobra no orçamento (51%), ausência de disciplina (22%) e a percepção de baixo retorno no longo prazo (19%). Sem uma base estruturada, as práticas financeiras muitas vezes se limitam a tentativas e erros.

Estilo de consumo e visão de futuro

Para 84% dos jovens, a vida financeira é um tema recorrente de preocupação. Dinheiro está associado à felicidade para 68%, mas também gera ansiedade em 67%, motivada por crises econômicas e instabilidade política.

Como reação, a Geração Z aposta no pragmatismo: busca independência precoce, diversificação de fontes de renda (freelance, e-commerce, serviços digitais) e escolhe produtos alinhados a valores sociais e ambientais. Essa postura pressiona o mercado a oferecer soluções personalizadas e acessíveis digitalmente.

Perspectivas e estratégias para o futuro

O cenário é desafiador, mas repleto de oportunidades. Fintechs e bancos tradicionais precisam investir em programas de educação financeira gamificados e acessíveis. Escolas e instituições de ensino devem incluir componentes práticos de gestão financeira no currículo, preparando jovens para lidar com crédito, juros e investimentos.

Além disso, famílias podem fomentar o diálogo sobre dinheiro desde cedo, criando um ambiente de aprendizado contínuo. Jovens, por sua vez, devem aproveitar recursos digitais para estabelecer metas claras, automatizar reservas e diversificar investimentos, sempre considerando o equilíbrio entre consumo e poupança.

Em um futuro próximo, a tecnologia, aliada a uma educação financeira robusta, terá o poder de transformar a Geração Z em protagonistas de uma economia mais consciente e resiliente.

Maryella Faratro

Sobre o Autor: Maryella Faratro

Maryella Faratro