Em um mundo hiperconectado, a Geração Z redefine conceitos clássicos de planejamento financeiro. Entre desafios e oportunidades, essa faixa etária adota ferramentas digitais para comprar, economizar e investir com rapidez e segurança, mas enfrenta riscos que exigem atenção.
A Geração Z engloba jovens nascidos entre 1995 e 2010, e em 2025 já representa mais de 27% da força de trabalho global. Muitos conquistaram autonomia cedo: 55% dos indivíduos entre 18 e 25 anos já arcam com todos os gastos mensais e 39% colaboram no orçamento familiar.
Embora 65% ajudem no sustento da casa, quase metade não controla seus gastos de forma sistemática. Faltam disciplina e conhecimento formal, criando brechas que podem gerar endividamento e ansiedade.
As metas da Geração Z variam conforme necessidades e expectativas:
Hoje, apenas 52% têm reserva financeira. Desses, 53% optam por poupança, 25% guardam dinheiro em casa e 20% usam conta corrente. Apesar do conservadorismo dominante, cresce o interesse por renda fixa, ações, fundos e até criptoativos, revelando busca por diversificação e proteção.
O acesso facilitado ao crédito digital contribuiu para um aumento significativo no número de inadimplentes: em julho de 2025, 78,16 milhões de brasileiros estavam negativados. Os jovens de 18 a 25 anos lideraram uma alta de 49% nas renegociações via Serasa Limpa Nome, comparando o período de janeiro a julho de 2025 com o mesmo intervalo de 2024.
As principais causas desse quadro são custos de vida elevados, entrada precoce no mercado de trabalho e baixa educação financeira formal. Além do prejuízo financeiro, o endividamento severo pode gerar estresse crônico, ansiedade e queda na autoestima.
Mais de 70% da Geração Z já opera exclusivamente com contas digitais. Apps de bancos, carteiras eletrônicas e fintechs oferecem conveniência e monitoramento em tempo real, mas também ampliam o consumo impulsivo, já que não há a percepção física do dinheiro saindo da carteira.
Essa coexistência entre alta tecnologia e métodos tradicionais revela um paradoxo: apesar de hiperinformados, quase metade ainda não converte as ferramentas em controle efetivo das finanças pessoais. A facilidade de gastar sem contato físico com notas estimula o consumo desenfreado.
A internet e as redes sociais tornaram-se escolas informais: influenciadores compartilham dicas, cursos gratuitos se proliferam e aplicativos educativos auxiliam no planejamento. Entretanto, apenas 10% dos jovens revelam ter recebido orientações sólidas em casa ou na escola.
Os principais obstáculos para poupar são a falta de sobra no orçamento (51%), ausência de disciplina (22%) e a percepção de baixo retorno no longo prazo (19%). Sem uma base estruturada, as práticas financeiras muitas vezes se limitam a tentativas e erros.
Para 84% dos jovens, a vida financeira é um tema recorrente de preocupação. Dinheiro está associado à felicidade para 68%, mas também gera ansiedade em 67%, motivada por crises econômicas e instabilidade política.
Como reação, a Geração Z aposta no pragmatismo: busca independência precoce, diversificação de fontes de renda (freelance, e-commerce, serviços digitais) e escolhe produtos alinhados a valores sociais e ambientais. Essa postura pressiona o mercado a oferecer soluções personalizadas e acessíveis digitalmente.
O cenário é desafiador, mas repleto de oportunidades. Fintechs e bancos tradicionais precisam investir em programas de educação financeira gamificados e acessíveis. Escolas e instituições de ensino devem incluir componentes práticos de gestão financeira no currículo, preparando jovens para lidar com crédito, juros e investimentos.
Além disso, famílias podem fomentar o diálogo sobre dinheiro desde cedo, criando um ambiente de aprendizado contínuo. Jovens, por sua vez, devem aproveitar recursos digitais para estabelecer metas claras, automatizar reservas e diversificar investimentos, sempre considerando o equilíbrio entre consumo e poupança.
Em um futuro próximo, a tecnologia, aliada a uma educação financeira robusta, terá o poder de transformar a Geração Z em protagonistas de uma economia mais consciente e resiliente.
Referências